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Celito De Grandi reconstitui o “Caso Kliemann”

Ana Mello

Celito De Grandi reconstitui o “Caso Kliemann”: política, paixão e morte no Brasil dos anos 60

Livro “Caso Kliemann – A história de uma tragédia” resgata o episódio com revelações surpreendentes

O jornalista e escritor Celito De Grandi debruçou-se durante meses sobre documentos, promoveu entrevistas e obteve o testemunho inédito das filhas do casal Euclydes e Margit Kliemann. Com isso, conseguiu reconstituir, com novas revelações, a fantástica história que abalou o Rio Grande do Sul na década de 60.

Esta minuciosa reportagem transformou-se no livro Caso Kliemann: a história de uma tragédia, coeditado pela Literalis em parceria com a EDUNISC, de Santa Cruz do Sul. O lançamento será no dia 20 de outubro, no Vestíbulo Nobre da Assembleia Legislativa, em Porto Alegre.

A tragédia da família Kliemann assemelha-se a uma fascinante obra de ficção. A realidade contempla ingredientes essenciais de um romance dramático: conflitos políticos, paixões segredadas; um casal jovem, rico e poderoso; um casaco de vison, a mítica “Dama de Vermelho”, uma cartomante; violência, duas mortes, um mistério; e o comovente desfecho: três meninas órfãs.

Para o professor e escritor Luiz Antonio de Assis Brasil,

“...Todo esse drama saturado de eletricidade encontrou a pessoa certa para contá-lo: Celito De Grandi, escritor que nos deu provas de seu talento não apenas em sua longa vida jornalística, mas também nos livros em que retrata pessoas e instituições...”

A história da família e do casal Euclydes e Margit Kliemann sempre fascinou Celito, na época jovem repórter do Diário de Notícias. O historiador Sérgio da Costa Franco destaca a habilidade com a qual o autor investigou e remontou os acontecimentos:

“...O fato de haver escolhido uma pauta de quase cinquenta anos passados não o prejudicou. A vivacidade dos relatos, com idas e vindas no tempo, sem uma obsessiva servidão cronológica, mantém o clima de novidade, com mudança de cenários e de protagonistas. E a fartura e densidade de informações faz de seu livro um capítulo de pura História, que o pesquisador da política rio-grandense de meados do século 20 não poderá relegar a segundo plano...”

O professor de pós-graduação em Comunicação Social da PUC/RS, Antonio Hohlfeldt, faz, no posfácio, uma detalhada análise do papel da imprensa no episódio:

...De tudo, podemos e devemos, pois, agradecer ao jornalista Celito De Grandi por sua iniciativa, predisposição e perseverança em retomar este caso. Teoricamente, do ponto de vista da polícia, um caso sem solução. De Grandi sugere que a solução existia e que se tivesse havido outro contexto político-partidário, quem sabe as autoridades teriam chegado a bom termo quanto à descoberta e solução do crime. Mas, mais que isso, Celito De Grandi, distanciando-se declaradamente da tendência sensacionalista e escandalosa daquele tipo de cobertura que o caso teve na época, abre novas abordagens, sobretudo a partir do momento em que humaniza os acontecimentos, trazendo a palavra e os sentimentos daquelas que foram suas principais e maiores vítimas ao longo do tempo, as filhas...

O deputado Euclydes Kliemann foi assassinado por um adversário político nas dependências da rádio Santa Cruz do Sul, daquela cidade. O tiro foi transmitido ao vivo. Já o mistério da autoria da morte de sua mulher, Margit, ocorrido um ano antes, mantém-se até hoje.

Celito fornece pistas importantes, como observa Assis Brasil em seu prefácio:

“...Com esta obra, são postos à disposição do leitor todos os elementos de que necessita para que essa história de escândalo encontre seus protagonistas ocultos. Com isso quero dizer que o autor usa de um dos artifícios de exímios escritores de narrativas, na medida em que confia ao leitor a verdadeira descoberta dessa trama que até hoje nos assusta. Sim, quem ler com atenção, como eu mesmo o fiz, quem souber compreender as entrelinhas, encontrará uma revelação, ao final, que não é bombástica, mas que nos ajuda a formar uma convicção e uma certeza. Isso aconteceu comigo.”

Sérgio da Costa Franco assina a orelha do livro e afirma:

“Temos em Porto Alegre e no Estado um farto cardápio de crimes rumorosos, alguns não esclarecidos, que dariam margem a reportagens investigativas ou mesmo a romances históricos sensacionais. Mas é preciso ter a garra, a persistência, a sensibilidade e a seriedade do Celito, para não transformar um tema dramático ou trágico num superficial roteiro de novela televisiva. Com a biografia de José Loureiro da Silva e o ensaio sobre a história do Diário de Notícias e de seu diretor Ernesto Corrêa, ele já ocupava um lugar destacado entre os escritores gaúchos. Este “Caso Kliemann” o insere entre os melhores narradores da confraria.”

Caso Kliemann: a história de uma tragédia

Celito De Grandi

Cooedição: Literalis e Edunisc

256 p., 2010

Preço de capa: R$39,00

 

Fonte: Simone Lersch


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